• Formado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
  • Residência de Neurocirurgia na Santa Casa de Belo Horizonte.
  • Fellow em Radiocirurgia e Neurocirurgia Funcional pela Universidade da Califórnia Los Angeles (UCLA) EUA.
  • Neurocirurgião do Corpo clínico do Hospital Sirio Libanês e Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo
  • Autor do Neurosurgery Blog
  • Autor de 4 livros
  • Colaborador na criação de 11 aplicativos médicos.
  • Editor do Canal do YouTube NeurocirurgiaBR
  • Diretor de Tecnologia de Informação da Associação Paulista de Medicina (APM) 
  • Delegado da Associação Médica Brasileira (AMB)

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5 erros matinais que pode aumentar o risco de ataque cardíaco e DERRAME (AVC) Julio Pereira Neurocirurgião

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Começar o dia de forma acelerada ou negligenciando sinais vitais do corpo pode criar uma “tempestade perfeita” para o sistema cardiovascular. O período da manhã é, estatisticamente, o momento de maior incidência de eventos como o Infarto Agudo do Miocárdio e o Acidente Vascular Cerebral (AVC). Isso ocorre porque, ao despertar, o corpo libera uma descarga de catecolaminas (como a adrenalina), que eleva a pressão arterial e a frequência cardíaca para nos colocar em alerta. Um dos erros mais graves é o levantar-se bruscamente da cama assim que o despertador toca; essa mudança súbita de posição pode causar oscilações pressóricas perigosas em indivíduos já vulneráveis, sobrecarregando o coração em um momento de fragilidade biológica.

Outro erro crítico é o consumo excessivo de cafeína em jejum combinado com o estresse do noticiário ou e-mails. A cafeína é um estimulante que, em altas doses matinais, pode desencadear arritmias em corações predispostos. Quando somada ao pico de cortisol (o hormônio do estresse) que naturalmente ocorre entre 6h e 9h da manhã, a reatividade vascular aumenta, favorecendo a ruptura de placas de ateroma e a formação de coágulos. Estudos indicam que o estresse agudo matinal é um gatilho documentado em cerca de 20% a 30% dos casos de ataques cardíacos súbitos registrados nas primeiras horas do dia.

A negligência com a hidratação ao acordar é o terceiro erro que impacta diretamente a viscosidade sanguínea. Durante o sono, perdemos líquidos pela respiração e transpiração, o que torna o sangue naturalmente mais “espesso” e propenso à coagulação pela manhã. Iniciar o dia sem beber água, ou substituí-la por bebidas açucaradas, mantém esse estado de hemoconcentração, dificultando a circulação e aumentando a pressão sobre as paredes das artérias. Dados da literatura médica sugerem que manter a hidratação adequada pode reduzir o risco de eventos tromboembólicos, prevenindo a formação de trombos que levam ao derrame isquêmico.

Por fim, o atraso no uso de medicamentos prescritos para hipertensão e a prática de exercícios físicos extenuantes sem o devido aquecimento completam o quadro de riscos. Muitos pacientes esquecem que a proteção dos remédios para pressão pode diminuir durante a madrugada, deixando o coração desprotegido no pico de pressão da manhã. Além disso, submeter o corpo a um esforço hercúleo logo cedo, sem permitir que a temperatura interna e os vasos se adaptem, pode levar a uma demanda de oxigênio que o coração não consegue suprir. O equilíbrio matinal — que envolve um despertar gradual, hidratação e controle emocional — não é apenas uma questão de rotina, mas uma estratégia de sobrevivência baseada em evidências cronobiológicas.