Um aneurisma cerebral identificado em um exame de imagem inicial pode “desaparecer” em avaliações posteriores não porque tenha regredido de forma espontânea, mas porque a primeira suspeita representava um falso positivo. Técnicas não invasivas, como a angiotomografia computadorizada (angio-TC) e a angiorressonância magnética (angio-RM), possuem alta sensibilidade, porém não são isentas de artefatos. Estruturas anatômicas normais, como alças vasculares tortuosas, bifurações irregulares ou efeitos de volume parcial, podem mimetizar o aspecto de um saco aneurismático, especialmente em vasos de pequeno calibre ou em regiões de fluxo turbulento.
Quando o paciente é submetido a um exame de maior resolução ou a uma técnica considerada padrão-ouro, como a angiografia digital por subtração (DSA), a imagem suspeita frequentemente deixa de ser confirmada. Nesses casos, o que se observa não é o desaparecimento de um aneurisma verdadeiro, mas a correção de um achado equivocado. Fatores técnicos também contribuem para o erro: qualidade inadequada da injeção de contraste, movimento do paciente, reconstruções multiplanares imprecisas ou interpretações realizadas sem correlação com a anatomia vascular adjacente.
A diferenciação entre um falso positivo e a rara regressão espontânea de um aneurisma verdadeiro é clinicamente relevante. Aneurismas genuínos raramente desaparecem sem tratamento; quando isso ocorre, geralmente se trata de lesões muito pequenas, trombosadas ou associadas a condições específicas, como a dissecção arterial. Por outro lado, a ausência de confirmação em exames seriados ou de melhor qualidade aponta, na maioria das vezes, para uma interpretação inicial incorreta, evitando assim a indicação desnecessária de acompanhamento intensivo ou de intervenções invasivas.
Portanto, diante de um “aneurisma que sumiu” no controle de imagem, a conduta mais adequada é considerar prioritariamente a possibilidade de falso positivo. A análise criteriosa dos exames anteriores, a comparação com técnicas de maior acurácia e, quando necessário, a discussão multidisciplinar com neurorradiologistas e neurocirurgiões permitem esclarecer o diagnóstico, reduzir a ansiedade do paciente e prevenir condutas excessivas baseadas em achados que nunca corresponderam a uma lesão real.