Os aneurismas cerebrais não se formam de maneira aleatória no cérebro; eles têm uma forte predileção por pontos específicos onde há maior estresse hemodinâmico, especialmente nas bifurcações arteriais. A grande maioria dessas dilatações vasculares — cerca de 85% a 90% dos casos — desenvolve-se na circulação anterior do encéfalo, concentrando-se em uma complexa rede de vasos na base do crânio conhecida como Polígono de Willis. É justamente nessa encruzilhada vascular que o forte impacto pulsátil do fluxo sanguíneo favorece o enfraquecimento progressivo das paredes arteriais elásticas ao longo dos anos.
A localização isolada mais frequente para o surgimento de um aneurisma sacular é o complexo da artéria comunicante anterior, respondendo por aproximadamente 30% a 35% de todos os diagnósticos. Esta pequena artéria serve como uma ponte crucial de comunicação entre os hemisférios cerebrais direito e esquerdo. Do ponto de vista neurocirúrgico, as lesões nesta topografia apresentam desafios particulares devido à sua íntima relação com estruturas anatômicas nobres, como os nervos ópticos e as áreas do lobo frontal basal, exigindo precisão técnica milimétrica tanto para o planejamento de uma clipagem microcirúrgica quanto para a embolização endovascular.
Logo em seguida, destacam-se duas outras localizações de extrema importância clínica: a artéria carótida interna e a artéria cerebral média (ACM). Os aneurismas originados no segmento comunicante da carótida interna representam cerca de 30% dos casos e são notórios por poderem causar paralisia do terceiro nervo craniano (oculomotor) quando crescem, gerando queda da pálpebra e visão dupla como sinais de alerta antes da ruptura. Já as bifurcações da artéria cerebral média abrigam em torno de 20% das lesões. Devido à sua anatomia de divisão em ramos mais distais e muitas vezes amplos, a bifurcação da ACM é o cenário clássico onde a intervenção microcirúrgica aberta frequentemente demonstra uma vantagem técnica e resolutividade expressivas em comparação às terapias por cateterismo.
Por fim, a circulação posterior do cérebro — composta pelo sistema vertebrobasilar — abriga os cerca de 10% a 15% restantes dos aneurismas intracranianos. Embora sejam estatisticamente menos comuns, os aneurismas dessa região, particularmente os localizados no topo da artéria basilar, são revestidos de uma complexidade singular. Eles estão situados profundamente, logo à frente do tronco encefálico, uma área nobre apinhada de tratos neurológicos vitais para a sobrevivência e múltiplos nervos cranianos. A profundidade anatômica e o espaço de manobra exíguo fazem com que, na medicina atual, a abordagem endovascular seja frequentemente adotada como a primeira linha de tratamento para garantir o isolamento da lesão com a máxima preservação funcional do paciente.