O cavernoma cerebral é uma malformação vascular caracterizada por um aglomerado de vasos sanguíneos dilatados e de paredes finas, frequentemente comparados a uma “framboesa” por seu aspecto irregular. Essas lesões podem estar presentes desde o nascimento (congênitas) ou surgir ao longo da vida, localizando-se no cérebro, no tronco cerebral, cerebelo ou medula espinhal. O cavernoma representa de 10% a 15% das malformações vasculares cerebrais e pode ocorrer de forma isolada ou múltipla, sendo que os casos múltiplos geralmente têm origem genética.
A maioria dos cavernomas cerebrais é assintomática e pode ser descoberta acidentalmente em exames de imagem realizados por outros motivos. No entanto, quando sintomáticos, os principais sinais incluem crises convulsivas (epilepsia), dores de cabeça, déficits neurológicos como fraqueza, perda de sensibilidade, alterações visuais, dificuldades de fala e, em alguns casos, desmaios. Esses sintomas estão relacionados ao sangramento ou ao efeito de massa da lesão sobre o tecido cerebral vizinho.
O risco mais preocupante associado ao cavernoma cerebral é a hemorragia, pois as paredes dos vasos são frágeis e suscetíveis a ruptura, liberando sangue no tecido cerebral. O sangramento pode ser pequeno e repetitivo, levando a sintomas progressivos como epilepsia de difícil controle e déficits neurológicos focais. Em média, estima-se que a chance de uma hemorragia nos primeiros anos após o diagnóstico varie entre 0,8% e 2,4% ao ano
O diagnóstico do cavernoma cerebral é realizado normalmente por meio de ressonância magnética, que permite identificar lesões mesmo assintomáticas e com detalhes de localização e extensão. O tratamento depende da apresentação clínica, sendo que lesões assintomáticas geralmente são apenas monitoradas, enquanto casos com sangramento recorrente ou sintomas graves podem demandar intervenção cirúrgica ou, em situações selecionadas, radiocirurgia.