• Formado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
  • Residência de Neurocirurgia na Santa Casa de Belo Horizonte.
  • Fellow em Radiocirurgia e Neurocirurgia Funcional pela Universidade da Califórnia Los Angeles (UCLA) EUA.
  • Neurocirurgião do Corpo clínico do Hospital Sirio Libanês e Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo
  • Autor do Neurosurgery Blog
  • Autor de 4 livros
  • Colaborador na criação de 11 aplicativos médicos.
  • Editor do Canal do YouTube NeurocirurgiaBR
  • Diretor de Tecnologia de Informação da Associação Paulista de Medicina (APM) 
  • Delegado da Associação Médica Brasileira (AMB)

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Como desentupir as “placas de gordura” (aterosclerose) que se acumulam nas CARÓTIDAS ?Dr. Julio Pereira – Neurocirurgião São Paulo – Neurocirurgião Hospital Sírio-Libanês

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As “placas de gordura” nas artérias carótidas (estenose carotídea aterosclerótica) não podem ser “desentupidas” como um cano entupido — não há remédio ou método que as dissolva completamente de forma rápida e total. No entanto, é possível estabilizar, reduzir o tamanho ou regredir parcialmente as placas com tratamento agressivo, prevenindo complicações graves como AVC isquêmico por embolia ou oclusão. O tratamento começa sempre com terapia clínica otimizada (best medical therapy): uso intensivo de estatinas em altas doses (ex.: atorvastatina 40-80 mg ou rosuvastatina 20-40 mg) para baixar o LDL-C para <70 mg/dL (ou <55 mg/dL em alto risco), antiagregantes plaquetários (aspirina 100 mg/dia ou clopidogrel), controle rigoroso da pressão arterial (<130/80 mmHg), glicemia (em diabéticos), cessação total do tabagismo, dieta mediterrânea rica em fibras/ômega-3 e baixa em gorduras saturadas/trans, perda de peso e exercícios aeróbicos regulares (150 min/semana). Evidências de estudos como GLAGOV, REVERSAL e diretrizes SBC 2025 mostram que LDL muito baixo + estatinas pode estabilizar e reduzir volume de placa em até 10-20% em imagens de ultrassom ou TC, diminuindo o risco de eventos em 20-30%.

Quando a estenose é sintomática (AIT ou AVC recente) e grave (≥70%), ou assintomática mas ≥60-80% com características de placa vulnerável (ulcerada, hiperecogênica na ultrassonografia com Doppler), indica-se revascularização. A endarterectomia carotídea (cirurgia aberta) é o padrão-ouro em muitos casos: remove diretamente a placa por incisão no pescoço, com baixo risco perioperatório (<3-6% de AVC/morte em centros experientes) e benefício comprovado em prevenção secundária (NASCET, ECST). A angioplastia com stent carotídeo (via cateter pela virilha) é alternativa minimamente invasiva, especialmente em pacientes de alto risco cirúrgico (idade avançada, comorbidades cardíacas), com dispositivos de proteção embólica para capturar debris. Diretrizes europeias e brasileiras (SBN, SBC 2024-2025) recomendam endarterectomia preferencial em sintomáticos <75 anos, mas stent em casos selecionados.

A regressão verdadeira das placas carotídeas é limitada e depende de redução drástica e sustentada do LDL-C (ideal <55-70 mg/dL), controle inflamatório (PCR ultrassensível baixa) e adesão rigorosa ao tratamento. Estudos com inibidores de PCSK9 (evolocumabe, alirocumabe) ou inclisirana mostram regressão adicional de placa em carótidas e coronárias, mas não “limpeza” completa. Não existem alimentos, suplementos (alho, ômega-3 isolados) ou remédios alternativos que desentupam placas de forma comprovada — eles ajudam na prevenção, mas não substituem terapia médica. Monitore com ultrassom Doppler carotídeo anual ou bianual para avaliar progressão/estabilidade.

Em resumo, “desentupir” as carótidas significa prevenir progressão, estabilizar a placa e restaurar fluxo quando necessário — nunca ignore sintomas como tontura transitória, perda visual monocular (amaurose fugaz), fraqueza ou dificuldade para falar. Como neurocirurgião, vejo diariamente que o tratamento precoce e multidisciplinar (cardiologista, angiologista, neurologista) reduz o risco de AVC em até 70-80% nos casos graves. Se você tem fatores de risco (hipertensão, tabagismo, colesterol alto, diabetes), faça ultrassom carotídeo e consulte um especialista — o tempo é o maior aliado contra o AVC.