As artérias carótidas, localizadas nos lados do pescoço, são responsáveis por levar sangue oxigenado ao cérebro e à cabeça, e sua doença — principalmente a estenose carotídea por aterosclerose — representa risco grave de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico. O acúmulo de placas de gordura, colesterol e cálcio estreita o lúmen arterial, reduzindo o fluxo sanguíneo; pior, essas placas podem se romper, liberando êmbolos que obstruem artérias cerebrais menores, causando AVC em até 20-30% dos casos com estenose >70%.
A doença frequentemente é silenciosa nos estágios iniciais, sem sintomas até atingir obstrução crítica (>70-80%), quando surgem ataques isquêmicos transitórios (AITs) — “mini-AVCs” reversíveis com fraqueza unilateral, perda visual súbita (amaurose fugaz), dificuldade para falar ou tontura. Em idosos, fatores como hipertensão, diabetes, tabagismo e colesterol alto aceleram o processo, elevando mortalidade por AVC hemorrágico secundário ou demência vascular.
Complicações adicionais incluem doença arterial periférica (dor nas pernas por má circulação), comprometimento cognitivo progressivo (perda de memória, confusão) e, raramente, dissecção arterial por trauma, levando a hemorragia ou trombose aguda. O Doppler duplex carotídeo é exame chave para detecção precoce, permitindo intervenção como endarterectomia ou angioplastia com stent antes do evento catastrófico.
Prevenção é crucial: controle rigoroso de fatores de risco (anti-hipertensivos, estatinas, parar de fumar, dieta mediterrânea e exercícios) reduz incidência em 50-70%; acima de 75 anos ou com histórico familiar, rastreio anual é recomendado para evitar sequelas neurológicas permanentes como hemiplegia ou afasia.