• Formado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
  • Residência de Neurocirurgia na Santa Casa de Belo Horizonte.
  • Fellow em Radiocirurgia e Neurocirurgia Funcional pela Universidade da Califórnia Los Angeles (UCLA) EUA.
  • Neurocirurgião do Corpo clínico do Hospital Sirio Libanês e Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo
  • Autor do Neurosurgery Blog
  • Autor de 4 livros
  • Colaborador na criação de 11 aplicativos médicos.
  • Editor do Canal do YouTube NeurocirurgiaBR
  • Diretor de Tecnologia de Informação da Associação Paulista de Medicina (APM) 
  • Delegado da Associação Médica Brasileira (AMB)

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Entendendo a Enxaqueca: Por que o Cérebro se Torna Hiper-reativo e Como a Ciência Explica a Dor. JULIO PEREIRA NEUROCIRURGIÃO

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A Fisiopatologia da Enxaqueca

A enxaqueca é caracterizada primariamente pelo fenômeno da depressão alastrante cortical (DAC). Trata-se de uma onda de despolarização neuronal e glial que varre o córtex cerebral, geralmente iniciando-se no lobo occipital. Esse evento neuroelétrico é o substrato fisiológico da “aura” e atua como o gatilho para a ativação das vias nociceptivas, alterando temporariamente a permeabilidade da barreira hematoencefálica e a homeostase iônica regional.

A dor propriamente dita decorre da ativação do sistema trigeminovascular. Quando os neurônios do gânglio trigeminal são estimulados, ocorre a liberação periférica de neuropeptídeos vasoativos, com destaque para o CGRP (Peptídeo Relacionado ao Gene da Calcitonina) e a substância P. Essas substâncias promovem uma vasodilatação arterial meníngea e uma inflamação neurogênica estéril, resultando na sensibilização dos nociceptores que transmitem o sinal doloroso ao núcleo do trato solitário e, subsequentemente, ao tálamo.

No plano celular, a etiologia reside em uma disfunção dos canais iônicos (canalopatia), que predispõe o cérebro a limiares de excitação mais baixos diante de gatilhos ambientais ou biológicos. A desregulação na modulação de neurotransmissores, especialmente a serotonina (5-HT) produzida nos núcleos da rafe, compromete o controle endógeno da dor. Essa falha no “filtro” sensorial faz com que estímulos habitualmente inócuos sejam interpretados pelo sistema nervoso central como sinais excruciantes.

Embora o tratamento cirúrgico — como a descompressão de ramos periféricos do trigêmeo ou a neuroestimulação — seja reservado para casos refratários específicos, a compreensão da arquitetura neuroanatômica é vital. A cronificação da enxaqueca pode levar à sensibilização central, onde o sistema nervoso permanece em um estado de alerta constante, remodelando sinapses e tornando o manejo clínico um desafio que exige precisão farmacológica e, por vezes, intervenção neuromodulatória direta.