A triagem para aneurismas cerebrais não é recomendada para a população em geral, pois a prevalência da condição é relativamente baixa e os riscos associados ao rastreio universal e a potenciais intervenções não justificam o benefício. Na grande maioria dos casos, os aneurismas são assintomáticos e acabam sendo descobertos apenas incidentalmente durante exames por outros motivos, ou em cenários agudos de ruptura. Por isso, a investigação proativa e direcionada é estritamente reservada para grupos específicos de alto risco, onde a probabilidade anatômica de desenvolver a doença ou sofrer uma hemorragia subaracnóidea justifica a busca ativa.
O principal critério para a indicação formal de rastreio é o histórico familiar. A literatura médica recomenda a triagem para indivíduos que possuem dois ou mais parentes de primeiro grau — como pais, irmãos ou filhos — diagnosticados com aneurisma intracraniano ou histórico de hemorragia subaracnóidea aneurismática. Nesses casos de agregação familiar, o risco de formação dessas lesões vasculares é significativamente maior, tornando a detecção precoce uma ferramenta fundamental para evitar o rompimento e planejar um possível tratamento eletivo.
Além do fator familiar, o rastreio também é imperativo para pacientes diagnosticados com certas síndromes genéticas e doenças do tecido conjuntivo que causam fragilidade na parede dos vasos sanguíneos. A Doença Renal Policística Autossômica Dominante (DRPAD) é a patologia hereditária mais classicamente associada aos aneurismas cerebrais, exigindo avaliação frequente. Outras condições que também demandam essa atenção incluem a Síndrome de Ehlers-Danlos (especificamente o tipo vascular), a Síndrome de Marfan, a displasia fibromuscular e a coarctação da aorta.
Quando a triagem se faz necessária, ela é realizada através de métodos de imagem não invasivos, sendo os de eleição a angioressonância magnética (ARM) e a angiotomografia computadorizada (ATC). A angioressonância costuma ser o exame de preferência por não expor o paciente à radiação ionizante e nem exigir o uso de contraste iodado, o que é ideal para o acompanhamento a longo prazo. Se o primeiro rastreio de um paciente de alto risco for negativo, a conduta geralmente envolve a repetição periódica do exame (frequentemente a cada três a cinco anos) para monitorar o desenvolvimento de novos aneurismas ao longo da vida.